Educando pessoas deseducadoras de cães Categoria: Conversa | 13 de Outubro de 2011 | Por: Aline Ailetos 1

Quem já assistiu o encantador de cães do Animal Planet sabe que o Cesar Millan costuma apontar a responsabilidade humana para os mais variados problemas comportamentais dos cachorros. É claro que aqui em casa não seria diferente.

O Otto é um cachorro muito mimado que reinou absoluto desde o seu primeiro mês de idade até os seus dois anos e meio. Ele foi separado muito cedo da mãe e, além do desmame precoce, ele perdeu um valioso tempo de socialização com ela e os irmãos e assim, com outros cachorros. Este período de socialização com a ninhada é extremamente importante para que o cachorro aprenda que é um cachorro. Desta forma, talvez o Otto não tenha este conhecimento e se considere um humano rejeitado e destinado a viver na casinha de cachorro.

Crédito: ClicPhoto Studio

Provavelmente devido a esta falha em sua socialização, o Otto apresenta distúrbios particularidades comportamentais, como a hiperatividade, o que garante que a obesidade jamais seja um problema para ele. Por isso, decidimos manter a ração sempre disponível naqueles comedouros automáticos e ele comia um pouquinho por vez durante o dia todo. No entanto, cachorros não foram feitos para se alimentarem desta maneira. Por apresentarem um estomago com grande volume e por investirem em grandes presas em grupos, eles estão adaptados a comerem grandes quantidades de alimentos rapidamente e com um considerável intervalo de tempo, sendo que os indivíduos dominantes eram os primeiros a se alimentarem. Com isso, disponibilizar o alimento para o seu cachorro em refeições com horários controlados ajuda a mantê-lo equilibrado psicologicamente e o cachorro aprende que você é dominante. O Otto não teve este importante aprendizado.

Com isso criamos um cachorro-gente rejeitado, hiperativo e insubordinado.

 

Unindo a fome e a vontade de comer

Ano passado, uma colega de trabalho da minha mãe encontrou a Ivvi em um acostamento de uma rodovia. Quando conseguiram capturá-la, ela não conseguia lar e seu destino estava quase para ser o de uma vida acorrentada em uma casa cheia de cachorros. E como tínhamos aquele cachorro agitado, carente e sozinho, achamos que uma companhia canina seria ótima para ele e, assim, adotamos a Ivvi. O Otto aceitou-a prontamente e em muitos aspectos a presença dela foi positiva para ele, porém em outros, nem tanto.

No começo ela era bastante magra e brava, mas a boa vida e a alimentação farta fez com que ela rapidamente amansasse e engordasse. E engordasse muito. Desta maneira, manter o alimento sempre disponível passou a ser um problema ainda maior. Depois de alguma insistência, consegui que as refeições controladas aos cachorros fossem estabelecidas. É claro que foi um pouco difícil a adaptação, eles tiveram que passar alguma fome para aprenderem a comer nos horários certos. Porém, outro problema surgiu. A dona Ivvi começou a querer roubar a ração do Otto. Imagine uma cachorra que passou fome nas ruas, que encontrou um ambiente com alimento sempre à disposição e que, de repente, viu-o desaparecer. Assim, tivemos que começar a separá-los durante as refeições, situação esta um pouco trabalhosa que está causando descontentamentos nos humanos da casa, que querem a volta do comedouro automático.

Que seres incorrigíveis que somos! Queremos bichos em nosso convívio e não nos esforçamos muito para provermos a eles o que é fundamental para suas necessidades físicas e psicológicas. Hoje temos fácil acesso a muita informação sobre as características de cães e gatos, informação esta que vem evoluindo muito com o passar do tempo e acabamos agindo por achismos, atribuindo a eles as necessidades e características humanas e tentando moldá-los às nossas vontades.

Crédito da foto: carterse

Estou aqui tentando combater o comedouro automático. Como para toda melhora o importante é começar, eu estou no início desta minha caminhada. Quem vem comigo?

Aline Ailetos

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Introvertida, observadora, bióloga de formação. Apaixonada pelos bichos de estimação e sensibilizada pela causa animal. Defensora da guarda responsável de animais domésticos.

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Um Comentário

  1. 18 de Outubro de 2011 às 1:16 pm
    Simone

    Seres incorrigíveis? Eu diria… egoístas ao extremo, isso sim! E mais uma vez, ótimo texto!

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