Gato ou cachorro, eis a questão – Continuação Categoria: Comportamento | 15 de Setembro de 2011 | Por: Aline Ailetos 4

Continuando a última postagem, em que escrevi sobre minhas considerações em relação ao convívio com os cachorros, relatarei agora o que aprendi sobre os gatos através da convivência com eles.

 

Os gatos e a dona de estimação que vos escreve

Minha convivência com gatos iniciou-se bem recentemente. Há três anos eu fui morar sozinha em um apartamento e passado um ano eu não aguentava mais aquele lugar vazio. Comecei a procurar um bicho e acabei adotando três gatos, a Allegra, a Aimée e o Athos. Não sei precisar o porquê, mas desde o começo eu procurava por gatos. Meu contato com os felinos era quase inexistente e naquele momento eu jamais cogitei ter um cachorro. Talvez por morar em apartamento e achar que os gatos eram mais compatíveis com o ambiente por serem mais silencisos. Ou por serem mais independentes achei que seria mais fácil de cuidar sozinha. O que sei é que fiz a melhor escolha. Apaixonei-me completamente pelos bichanos e hoje assumo uma certa predileção por eles.

Crédito: angeloangelo

Inicialmente, gostaria de alertar que grande parte do que falam sobre os gatos não é verdade. Para saber como é um gato, só convivendo com um. Ao contrário de um cachorro, se você visitar uma casa com um gato de estimação, dificilmente ele virá fazer festa para você. Na maioria das vezes, ele irá te ignorar. Isso causa um desconhecimento da espécie e gera um ar de antipatia, de superioridade, características essas, além de outras, que são nossas e erroneamente atribuímos aos gatos. O que me parece que também gera esse desconhecimento acerca dos gatos é esse hábito, espero que cada vez mais combatido, de deixar o bichano ir para rua. Além de correr todos os perigos na rua, é lá que ele vai passar a maior parte do seu tempo ativo e em casa ele vai passar o seu tempo praticamente dormindo. E assim eles aparentam uma indiferença tão criticada por muitos de nós. Eu não noto esta indiferença nos meus gatos, posso, inclusive afirmar que os gatos, a sua maneira, são tão carinhosos e companheiros quanto os cachorros. “Tatito” que não me deixa mentir, pois está aqui do meu lado acompanhando cada palavra do que escrevo.

Os gatos em geral, são animais bastante dóceis, mas que podem eventualmente te arranhar em uma brincadeira mais efusiva. E pode ter o hábito de arranhar seus móveis também. Falando em brincadeira, são animais extremamente brincalhões. Aqui, três gatos e uma caixa de papelão resultam em uma grande bagunça para eles e muita diversão para mim. Adoro vê-los brincando, porém a casa vive cheia de brinquedos de gatos espalhados. Eles também são muito higiênicos, bastando uma caixa de areia para suas necessidades fisiológicas e sendo autossuficientes quanto o assunto é banho. Porém, é necessário escová-los regularmente, pois do contrário soltarão bastante pelo pela casa e poderão vomitar bolas de pelos. Aqui, com boa alimentação e escovação eu consigo contornar essa situação dos pelos, e bolas de pelos praticamente não existem.


Crédito: Dick Penn

Gatos são menos educáveis por apresentarem a característica do caçador solitário. Eles dividem seu território com outros bichanos, mas não apresentam uma convivência em bando como no caso do cachorro que vivia em matilhas no estado selvagem. Dessa forma, você nunca será um líder para o gato, podendo no máximo ser o gato dominante. Ele consegue entender exatamente o que você não quer que ele faça, quando por exemplo você está gritando para que ele pare de arranhar o sofá. Porém, apenas na sua cabeça você manda nele e ele faz questão de deixar isso bem claro. Felizmente, com alguma insistência você consegue contornar alguns comportamentos indesejados.

Finalmente, gostaria de lembrar que os gatos usam seu ambiente de maneira tridimensional, explorando-o de maneira horizontal e vertical. Assim, eles podem viver em ambientes menores e não precisam de passeios, nem guiados por nós e muito menos sozinhos. E devido esse uso tridimensional do ambiente, é mais difícil manter as coisas fora do alcance de um gato. Neste caso, quando uma pessoa opta por ter um gato, a preocupação com a adaptação da casa é bem maior, inclusive evitando os meios de saída do animal para a rua, que para um gato, são muitos.

Crédito: Zanastardust

 

Por que escolher o gato ou o cachorro se eu posso ter os dois?

Crédito: Eran Finkle

Decidir conviver com as duas espécies é também uma alternativa para quem quer ter duas experiências distintas. Eles podem ser mantidos tanto em ambientes separados em sua casa como dividindo o mesmo espaço. Por aqui optamos por deixá-los separados, os cães no quintal e os gatos vivendo nos fundos da casa, juntamente comigo. Já deixei os gatos e os cachorros juntos e percebi que eles poderiam se entender, apesar de toda a expansividade dos cães aqui de casa. Acredito que uma boa convivência entre cães e gatos possa acontecer na maioria dos casos.

Espero que eu tenha ajudado em uma possível decisão e seja esta qual for, que seja feita de maneira muito consciente e responsável, uma vez que animal adquirido não se abandona jamais.

Aline Ailetos

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Introvertida, observadora, bióloga de formação. Apaixonada pelos bichos de estimação e sensibilizada pela causa animal. Defensora da guarda responsável de animais domésticos.

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4 Comentários

  1. 6 de Outubro de 2011 às 8:44 pm
    Simone

    Precisa dizer que vc escreve bem prá caramba? Tô amando tudo isso! :)

    • 7 de Outubro de 2011 às 9:44 am
      Aline Ailetos

      É muito bom o seu incentivo!

  2. 6 de Março de 2013 às 5:37 pm
    Larissa

    O gato é melhor que o cachorro 100%.

    • 7 de Março de 2013 às 9:34 am
      Aline Ailetos

      Oi Larissa,
      Sim, para muitas pessoas o gato é o animal de estimação mais indicado mesmo. Eu mesma não escondo que prefiro gatos. Porém, as espécies são muito diferentes e é difícil dizer que uma é melhor do que a outra.
      Obrigada pelo comentário!

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