“Vai um pedacinho aí?” – Alimentos humanos para cachorros Categoria: Alimentação | 21 de Outubro de 2011 | Por: Aline Ailetos 6

Crédito da foto: Vato Bob

Certo dia, eu estava comendo um biscoito quando me deparei com um par de olhos atentos e pedinchões: era o Otto. A intensidade do olhar canino quando quer o que estamos comendo é grande e, com isso, muita gente acaba se rendendo e dividindo o lanche com seu cachorro. Porém, não estamos trazendo um benefício a ele, pelo contrário, estamos prejudicando a sua saúde.

Eu gosto sempre de lembrar que nós seres humanos apesar de convivermos intimamente com os cães e os gatos somos biologicamente diferentes deles, sendo nossas necessidades nutricionais bastante distintas. Com isso, o que comemos não é adequado a eles, muitas vezes não é adequado nem a nós mesmos. A base da nossa dieta é constituída por carboidratos, nutrientes encontrados em cereais, massas e doces, que apresentam alto valor energético e que devem estar presentes em quantidades muito reduzidas na dieta dos nossos animais. Se temos o hábito de dividir o nosso biscoito, o nosso lanche, a nossa pizza, o nosso doce com o cachorro, fatalmente estamos oferecendo uma maior quantidade de carboidratos de que ele necessita, o que pode fazer com que ele se torne obeso.

 

Consequências da obesidade em cães

Já faz tempo que sabemos que a obesidade traz diversos problemas a nossa saúde. No cachorro a questão não é diferente e as principais complicações enfrentadas por um cão obeso são:

 

Um pedacinho de carne

Os cães e gatos são animais carnívoros e a base de suas dietas é constituída de proteínas de origem animal. Dessa forma, a carne é o principal alimento a compor a alimentação dos nossos cães e gatos. No entanto, o maior problema em oferecer a carne que estamos comendo é a condimentação. Não conheço ninguém que coma carne sem pelo menos o sal e o organismo de nossos cães é menos resistente aos temperos que o nosso. Se for oferecer carne aos seus bichos, que seja sem nenhum tempero.

 

Paladar menos aguçado

Os cachorros e mesmo os gatos apresentam um olfato muito mais apurado que o nosso, apresentando milhões de células olfativas a mais que nós (veja a tabela abaixo). No entanto, o paladar destes animais é bem menos aguçado que o nosso, uma vez que eles apresentam uma menor quantidade de papilas gustativas. Dessa forma, por mais que eles queiram muito o que estamos comendo, o sabor que eles sentem é bem mais pobre que o que nós sentimos. Acaba não sendo tão gostoso assim para eles.

Homem

Cachorro

Gato

Células olfativas

2 a 10 milhões 80 a 220 milhões 60 a 70 milhões

Papilas gustativas

9.000 1.700 500

Referência:
GRANDJEAN, D. Tudo o que você deve saber sobre o papel dos nutrientes na saúde de cães e gatos. Paris: Aniwa, 2006.

 

Um fato real

Recentemente, a cachorrinha dos meus avós, após dias sem se locomover e se alimentar e mais dias de internação sem apresentar qualquer reação, teve de ser eutanasiada. Ela viveu 12 anos e durante todo este tempo meu avô compartilhava de suas refeições com ela. Ninguém conseguia convencê-lo de que isso era prejudicial a ela. E tentávamos, brigávamos com ele, mas a “compaixão” dele por ela sempre falou mais alto. Desta maneira, se o dono dela mantinha este comportamento, como evitar que outras pessoas dessem alimentos humanos a ela? Certo dia, em uma festa de aniversário, eu a flagrei tentando esconder coxinha debaixo de uma almofada no sofá. Coxinha! Elá já tinha ganhado tantas que não aguentava mais comer! E a danada tinha um bom apetite!

Hoje, quando eu paro para pensar nela eu mal me lembro mais daquela cachorrinha alegre, que corria e pulava na gente, que fazia aquela festa quando os visitávamos. Nos últimos tempos ela era uma cachorra quieta, de olhar triste, que tinha dificuldades para andar e que respirava de maneira ruidosa. Tenho certeza de que todas as guloseimas recebidas não valeram o seu sofrimento no final de sua vida.

Vamos prezar pela saúde dos nossos bichos para evitar que eles tenham maiores sofrimentos na velhice. Vamos oferecer alimentação adequada a eles, seja com ração de boa qualidade, seja através da alimentação natural. Se quiser agradar seu cachorro, dê atenção a ele, leve-o a um passeio. Só assim teremos bichos de estimação mais bonitos, saudáveis e dispostos.

Aline Ailetos

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Introvertida, observadora, bióloga de formação. Apaixonada pelos bichos de estimação e sensibilizada pela causa animal. Defensora da guarda responsável de animais domésticos.

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6 Comentários

  1. 23 de Outubro de 2011 às 12:39 am
    Simone

    Caramba, essa das papilas gustativas e células olfativas é novidade prá mim. Sempre achei que gatos e cachorros fossem melhores que nós em tudo, rs.

    • 23 de Outubro de 2011 às 11:27 am
      Aline Ailetos

      Mas eles são melhores! Com isso eles não são frescos para comerem como nós… rs.

  2. 18 de Agosto de 2012 às 6:17 pm
    Marilia

    Tenho um buldogue francês, a alimentação dele é ração, só que meu marido da diariamente um pequeno pão francês, descobri q dá maçã, pera, uva, tangerina. Ja pedi a ele para parar e que ele vai acabar matando nosso cão. Eu digo se ele come um ração completa, porque dar o que não faz parte da alimentação dele, estou errada?

    • 19 de Agosto de 2012 às 10:02 am
      Aline Ailetos

      Olá Marilia,

      Você não está errada, alimentar seu cão de maneira não balanceada pode trazer alguns problemas, como a obesidade no caso de uma dieta rica em carboidratos, os quais são encontrados em abundância no pão francês. Outro problema do pão francês é a farinha branca, que não é recomendada para cães. Ainda, existem alimentos que não devem ser dados para os cachorros por serem potencialmente tóxicos, como é o caso da uva.

      Agora, é possível oferecer alguns alimentos de maneira saudável, além da ração que o seu buldogue come. A maçã, a pêra e a tangerina, desde que dadas sem sementes, podem ser oferecidas ao seu cachorro. Eu recomendo a leitura deste texto do site do Cachorro Verde para saber o que pode e o que não pode ser oferecido ao seu cachorro.

  3. 13 de Março de 2013 às 5:07 pm
    Cacilda

    Oi Aline
    O gato que peguei na rua quando chegou ele não quis comer nada, acho que estava assustado.
    Como chegou a noite no dia seguinte de manhã esquentei uma salsicha e fui dando pedacinhos, depois fui com meu filho no pet shop e compramos ração e tudo mais que ele precisava.
    Hoje vc pode dar um pedacinho de salsicha que ele não come.
    Ele não aceita nada, nem carne, só come a ração mesmo.Agora o que me deixou confusa foi que estava comendo pizza, meu filho deu um pedacinho, bem pequeno ele cheirou e foi para perto de mim.
    Como tinha azeitonas na minha pizza ele começou a ficar cada vez mais com os olhos arregalados olhando p mim.
    Dei um pedacinho bem pequeno de pizza e ele cheirou e continuou me olhando e a miar..pensei que será que ele quer?
    Dei um pedacinho de azeitona o gato ficou completamente doidao, jogava p cima pegava e tentava segurar com a patinha p comer, eu vendo a situação , pensei acho que o pedaço é tão pequeno que ele não consegue pegar.Peguei coloquei proximo a boquinha dele, que nada ele tirou com a patinha e saiu dando patadas no pedacinho de azeitona , só depois que comeu e veio me olhar com cara de pidonho.
    Não dei mais e fiquei preocupada o que sera que tem na azeitona que ele nem pode sentir o cheiro que ja fica ansioso .
    Mas ele só come ração de carne e agua.
    Otima semana
    Abraços
    Cacilda

    • 16 de Março de 2013 às 10:08 am
      Aline Ailetos

      Oi Cacilda,
      Eu não fazia ideia de que os gatos ficavam assim com azeitonas, pois os meus não costumam ficar por perto durante as refeições. Dando uma pesquisada vi que isso acontece com vários gatos e parece que é por conta de um composto químico presente na azeitona que desencadeia o mesmo processo que o catnip desencadeia!
      Ótimo fim de semana!
      Abraços.

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